DIREÇÃO-GERAL DO HUCFF APOIA REIVINDICAÇÃO DOS ALUNOS PARA SE MANTEREM NOS HOSPITAIS DE ENSINO DA UFRJ

A direção-geral do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF) reitera o apoio dado aos alunos da Faculdade de Medicina da UFRJ durante entrevista concedida à rádio CBN-Rio na última quinta-feira, dia 21. Para o diretor-geral, professor Eduardo Côrtes, é plenamente legítima a reivindicação dos alunos que se opõem serem transferidos para exercer atividades de ensino e extensão em Organização Social do Município do Rio de Janeiro (Hospital Evendro Freire).

Para Côrtes, os alunos do curso de Medicina precisam exercer as atividades de ensino, pesquisa e extensão em hospitais de ensino da própria UFRJ, para que essas atividades essenciais do programa de formação sejam realizadas sob o manto da autonomia didático-científica que o artigo 207 da Constituição de 1988 assegura às universidades, não a organizações sociais e hospitais da rede comum de saúde. 

Também é essencial para o programa de formação do curso de Medicina que os alunos tenham oportunidade de vivência em hospitais gerais, uma vez que tais estudantes necessitam passar pela experiência de atendimento de pacientes com várias doenças para seu treinamento, e não apenas um ou outro tipo de enfermidade. Por isso, a importânia de se ter um hospital próprio, com todas as áreas do ensino médico e de toda a área da saúde.

Côrtes lembra que a política de gestão adotada no hospital de ensino interfere, direta e sensivelmente, no curriculum do curso de Medicina. Assim, a decisão de transferir os alunos da Faculdade de Medicina para desempenharem parte do programa de formação em hospital municipal gerido por OS  tem o potencial de subverter o processo de formação dos alunos, o que é inaceitável.

Para o diretor-geral, o Hospital Evandro Freire não é o melhor espaço para realização das atividades de ensino, pesquisa e extensão do curso de Medicina da UFRJ. A OS enfrenta problemas maiores e até piores do que os enfrentados pelos hospitais da rede federal de ensino. 

Prova disso é que no dia 23 de agosto passado, cerca de 50 funcionários, entre médicos, enfermeiros, técnicos e pessoal administrativo, fizeram manifestação em frente ao hospital, para denunciar o atraso nos salários e a falta de informação de quando esse problema será regularizado.

Foto: reprodução O Globo Online

Foto: reprodução O Globo Online

Segundo reportagem publicada na imprensa, a Prefeitura do Rio de Janeiro não está fazendo os repasses das verbas à Organização Social Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim (Cejam), que administra o Evandro Freire, desde julho. Fornecedores e prestadores de serviços também estão sem receber. A reportagem também destaca a queda da qualidade dos serviços a cada dia. Destaca que o setor de Emergência está fechado. 

Saiba mais: http://www.jornalgolfinho.com.br/funcionarios-do-hospital-evandro-freire-protestam-contra-atraso-de-salarios-emergencia-so-esta-atendendo-pacientes-nivel-vermelho/

http://blogs.oglobo.globo.com/blog-emergencia/post/prefeitura-atrasa-salarios-e-funcionarios-do-hospital-evandro-freire-e-do-cer-ilha-protestam-na-rua.html

Outra reportagem do jornal O Globo Online, do dia 31/8, denuncia que, sem dinheiro, o Hospital Evandro Freire começa a fechar leitos de enfermaria e CTI. 

Confira a reportagem: http://blogs.oglobo.globo.com/blog-emergencia/post/sem-dinheiro-hospital-evandro-freire-comeca-fechar-leitos-de-enfermaria-e-cti.html 

Para Côrtes, este espaço não é, nem de longe, o melhor para a formação dos alunos da Medicina, razão pela qual se solidariza com os alunos da Faculdade de Medicina da UFRJ. 

Eleita em 2014 com o compromisso de defender a autonomia didático-científica para os cursos de Medicina e outros da área da saúde, a atual direção-geral do HUCFF tem trabalhado para ampliar, ainda mais, a capacidade de atendimento do Hospital do Fundão, de forma a garantir a excelência desse espaço como centro de formação de profissionais de saúde e de desenvolvimento de tecnologias na área de saúde.  

Apesar de todas as restrições administrativas e orçamentárias, o HUCFF é a unidade da UFRJ que mais realiza licitações, conseguindo bons resultados nesse campo. Em 2013, o HUCFF gastou R$ 42 milhões com material de consumo, com 220 leitos em funcionamento e a emergência funcionando parcialmente. Com ganho de eficiência nas compras, a atual direção-geral conseguiu reduzir esse gasto para R$ 32 milhões em 2014, mesmo com aumento de leitos. Em 2015, foram gastos R$ 29 milhões e em 2016 R$ 30 milhões.  Desde 2015 que atingimos 260 leitos, e temos a emergência aberta 24h/dia, sete dias na semana.

O gasto com material de consumo em 2013, trazido a valor presente atualizado pelo IPCA acumulado até agosto/2017, atinge R$ 54,3 milhões, considerada a inflação acumulada de 28,38% no período. 

Ao final de 2013, a atual direção-geral recebeu o HUCFF com  220 leitos. No primeiro ano de gestão, em 2014, o hospital aumentou sua capacidade de atendimento para 230 leitos, ao custo de R$ 60,9 mil. No ano seguinte, apesar de toda dificuldade orçamentária, foi possível, com ganho de eficiência na gestão, aumentar o número de leitos, que passou para 262, ao custo de R$ 63,1 mil (variação financeira de apenas 3,6%, sem descontar a inflação). Em 2016, o número de leito foi mantido ao custo de R$ 69,5 mil, variação inferior ao índice da taxa Selic, que fechou o ano passado em 13,65%.    

O HUCFF, este ano, atingiu a capacidade para 320 leitos, dependendo, tão somente, de contratação de pessoal para sua abertura com vistas a ampliar e melhorar as condições de ensino e extensão dos alunos do curso de Medicina. A meta da atual direção-geral do é atingir 540 leitos.  Já temos os estudos prontos, faltando conserguir os recurosos financeiros e o pessoal.

Em 2013, o HUCFF realizou despesas com material permanente, serviços de terceiros pessoas jurídicas (sem extraquadros), material de consumo, dentre outra, no total de R$ 85,8 milhões. Em 2014, estes gastos somados aos extraquadros que passaram a ser pagos pelo HU atingiram R$ 71,7 milhões, passando a R$ 76,1 milhões em 2015 e R$ 82,1 milhões em 2016.  O gasto global do HUCFF de 2013, se fosse atualizado pelo IPCA acumulado até agosto de 2017, deveria ter sido corrigido para R$ 110,2 milhões este ano. 

Todavia, apesar das restrições orçamentárias, somadas à defasagem inflacionária de 28,36% de 2013 a 2016, o HUCFF conseguiu aumentar sua capacidade de atendimento de 220 para 262 leitos (aumento efetivo de 20%), além de realizar a obra histórica de infraestrutura (‘paredão’) que permitiu ampliar as instalações físicas para equipar mais 58 leitos, que aguardam a contratação de pessoal pela Reitoria para serem disponibilizados para atendimento e ensino.

"Se a UFRJ quer ser uma universidade de excelência em ensino, pesquisa e extensão na área de saúde - cujos cursos representam 41% do bom resultado que a universidade obteve na recente avaliação da CAPES - é preciso priorizar, inclusive na distribuição de seu orçamento, recursos para a manutenção das condições necessárias para a formação dos profissionais de saúde”, declarou Côrtes.  “O aluno da Medicina, Enfermagem, Psicologia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional, Nutrição, Serviço Social, Odontologia, dentre outros, não podem ser preteridos. 

Apesar da inaceitável política de restrição orçamentária para a formação dos profissionais de saúde, o Relatório de Avaliação Quadrienal dos Cursos/Programas Acadêmicos e Profissionais de Pós-graduação (CAPES) em Medicina I, publicado em agosto de 2017, aponta que a Clínica Médica do curso de Medicina da UFRJ foi a única a obter nota máxima (7) nas avaliações referentes aos períodos de 2010-2012 e 2013-2016. Apenas o curso de Fisiopatologia Médica da UNICAMP apresentou igual resultado.  Lembramos que a Pòs-Graduação em Clínica Médica funciona com a maioria de suas pesquisas no HUCFF.  Ficamos felizes por contribuir significativamente para este resultado, apezar de todas as dificuldades. 

Os 7 cursos da área de saúde da UFRJ mais bem avaliados contribuíram com 41,17% do bom resultado alcançado pela Universidade, que ocupa a segunda posição do ranking, com 17 avaliações máximas. O peso da Engenharia para a segunda colocação da UFRJ foi de 17,64%, com 3 cursos avaliados com nota 7.  Os outros cursos da UFRJ com avaliação máxima foram: Antropologia/Arqueologia, Astronomia/Física, Ciência da Computação, Comunicação e Informação, Geografia, Matemática/Probabilidade e Estatística, e Sociologia. 

Dos 179 cursos que obtiveram nota máxima pela Capes, 10 são de Medicina distribuídos entre a USP (4), a UNICAMP (2), a UFRJ (1), a UNIFESP (1), a UFRGS (1) e a CPgRR-Fiocruz (1). Somente a USP obteve nota máxima no curso de Enfermagem. 

Nenhuma Universidade Federal que entregou a gestão de seus hospitais de ensino à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH) recebeu nota máxima na avaliação dos cursos de Medicina e Enfermagem, para exemplificar. 

A UFMG, uma das melhores universidades federais do país, obteve nota máxima tão somente em um curso de Odontologia e dois de Ciências Biológicas, resultado aquém do alcançado pela UFRJ, bem avaliada em 7 cursos da área de saúde. 

A UFRGS, que dispõe do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA), empresa privada beneficiada com mais de R$ 1,2 bilhão do orçamento da União no ano passado, obteve nota máxima em apenas 3 cursos de Ciências Biológicas, um de Medicina, um de Psicologia e um de Farmácia. Além do orçamento aquinhoado, o HCPA recebe receitas de planos de saúde para operar em regime de ‘dupla-porta’ com planos de saúde privados, regime esse questionado pelo Ministério Público Federal por ferir princípios básicos do Sistema Único de Saúde – SUS de acesso igualitário e público. 

Apenas quatro Universidades obtiveram nota 6 no curso de Enfermagem: USP, UFRJ, UFC e UFSC.  Também merecem destaque os cursos da UFRJ na área de saúde que obtiveram nota 5: Medicina-Radiologia, Medicina-Doenças Infecciosas/Parasitárias, Psiquiatria e Doença Mental, Psicologia, Farmácia, Odontologia e Saúde Coletiva.

De acordo com o Relatório de Avaliação Quadrienal publicado pela CAPES, em agosto deste ano, a Medicina Clínica da UFRJ foi a única que alcançou nota 7 no período de 2013-2016, repetindo a mesma nota obtida no período 2010-2012.  A Fisiopatologia Médica da UNICAMP foi outro curso que recebeu nota 7 na recente avaliação, repetindo a mesma nota do período anterior. O curso de Cardiologia da USP também obteve nota 7 na avaliação deste ano, contra nota 5 no período avaliativo imediatamente anterior. 

Pesquisas independentes realizadas por meios de comunicação também apontam os cursos da área de saúde da UFRJ em patamar de excelência. Segundo publicado na Revista Exame recentemente, em 2016, a UFRJ foi a 5ª universidade mais bem avaliada no ranking da América Latina. 

Com nota geral 73,3 e nota de ensino 84,7, a UFRJ obteve resultado melhor do que todas as universidades federais, superando a PUC-Rio, 6ª colocada no ranking. Em 2015, o curso de Medicina da UFRJ apareceu na 5ª posição, sendo a 4ª melhor na avaliação do mercado e 6º melhor em qualidade do ensino, ficando atrás, tão somente, das principais universidades do Estado de São Paulo (USP e UNICAMP), da UFRGS e da UFMG, quarta colocada. 

O recente resultado do curso de Medicina da UFRJ é mérito do esforço dos docentes dos cursos de saúde e dos alunos. 

Nesse sentido, a direção-geral do HUCFF reitera o apoio à reivindicação dos alunos da Medicina da UFRJ, para que permaneçam desempenhando suas atividades acadêmicas no HUCFF, de modo a garantir, no futuro próximo, os mesmos bons resultados que a UFRJ alcançou na recente avaliação da CAPES referente aos cursos da área da saúde.  Contiinuaremos fazendo nosso melhor para continuar a recuperação do HUCFF, aumentando seus leitos e lutrando por suas verbas e orçamento, e tratamento igualitário para verbas do REHUF, que neste momento tem uma distribuição injusta quando comparamos nosso número de leitos, número de alunos e nossa consição de hospital terciário de alta complexidade.

 

EDUARDO JORGE BASTOS CÔRTES

Professor da Faculdade de Medicina da UFRJ

Diretor-Geral do HUCFF/UFRJ

 

 

A Direção-Geral do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF) reitera o poio dado aos alunos da Faculdade de Medicina da UFRJ durante entrevista concedida à Rádio CBN-Rio. Para o Diretor Geral, Prof. Eduardo Côrtes, é plenamente legítima a reivindicação dos alunos que se opõem serem transferidos para exercer atividades de ensino e extensão em Oganização Social do Minicípio do Rio de Janeiro (Hospital Evendro Freire).

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Assistência

Atende 42 especialidades médicas e 23 programas em alta complexidade. Possui um Programa de Transplante credenciado no Sistema Nacional de Transplante do Ministério da Saúde, para transplantar rim, fígado, córnea e medula óssea. Tem capacidade instalada atual de 250 leitos, com potencial para até 450 leitos ativos, na dependência do resgate de áreas não utilizadas e investimento em recursos humanos. Realiza por mês cerca de 20 mil consultas ambulatoriais, 450 cirurgias, e 700 internações.

Ensino

Recebe estudantes de graduação das diversas unidades acadêmicas da UFRJ. Por ano, oferece 200 novas vagas para o Programa de Residência Médica e 31 vagas para Residência Multiprofissional em Saúde. Campo de treinamento e formação de 1.795 alunos de graduação e pós-graduação, além de 333 residentes. A Residência Médica do HUCFF é uma das mais procuradas do país. O concurso para 2012 teve 2.230 candidatos inscritos para 206 vagas. Entre os cursos mais procurados estão o de Clínica Médica e Cirurgia Geral.

Pesquisa

O HUCFF abriga importantes laboratórios onde são desenvolvidas produções científicas e publicação de artigos. As recentes conquistas no setor de pesquisa são uma prova de que o hospital tem levado a sério o compromisso de garantir mais qualidade de vida a seus pacientes. É conhecido como um dos principais pólos de produção e disseminação de conhecimento saúde no estado e no país, além de conquistar crescente projeção internacional.